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Dia Internacional da Mulher: impactos da desigualdade no trabalho

Publicado em 10/03/2020
Dia Internacional da Mulher: impactos da desigualdade no trabalho

As mulheres, sem dúvidas, conquistaram espaço em diversas esferas da sociedade. Se antes eram atreladas apenas à figura de responsável pelo lar, hoje vemos muitas delas em áreas e cargos de destaque. Entretanto, apesar do avanço, a figura feminina no mundo corporativo ainda está muito longe de alcançar um patamar totalmente igualitário. Dados da Women Will, iniciativa do Google, mostram que embora as mulheres constituam metade da população economicamente ativa do mundo, um dos impactos da desigualdade é que elas geram apenas 37% do PIB.

Segundo análise da FACAMP (Faculdade de Campinas) sobre os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-c) realizada pelo IBGE, referente ao primeiro trimestre de 2019, as mulheres ainda recebem apenas 81% do salário dos homens, mesmo com nível de escolaridade igual. A disparidade torna-se mais acentuada quando a formação educacional é maior – neste caso, elas recebem apenas 64,3% dos rendimentos masculinos.

Além da desigualdade salarial, a análise da FACAMP apontou outra estimativa desapontadora: das 28,3 milhões de pessoas atingidas pela subutilização do trabalho, as mulheres foram a maioria (54,5%). Ou seja, no primeiro trimestre de 2019 estavam desempregadas, desalentadas (quando não se tem mais esperança de arrumar emprego), subocupadas (trabalham menos de 40 horas por dia, mas gostariam de trabalhar mais) ou poderiam trabalhar, mas por algum motivo não podem assumir essa responsabilidade no momento.

A dupla jornada

Um dos motivos que dificulta a igualdade entre as mulheres no mercado de trabalho é o acúmulo de funções sofridos por conta das múltiplas responsabilidades. Dados divulgados em abril de 2019 por um módulo especial do Pnad Contínua mostra que as mulheres acumulam até 3,1 horas a mais de trabalho do que os homens.

A jornada feminina, compreendendo desde o emprego até os afazeres domésticos e cuidado com pessoas, leva em média 53,3 horas semanais, enquanto a masculina fica em torno de 50,2 horas semanais.

Se excluirmos o mercado de trabalho, as mulheres gastam cerca de 18,5 horas semanais para as atividades domésticas contra apenas 10,3 horas dos homens. Isso reflete diretamente nas horas disponíveis para a dedicação à carreira, visto que, elas trabalham 34,8 horas semanais e eles 39,9 horas.

 

Leia também:

> Mulheres recebem o mesmo tratamento que os homens no mercado de trabalho?

> Pesquisa do grupo Mulheres do Varejo mostra que maternidade ainda é tabu no mundo corporativo

 

Elas na liderança

A hierarquia no mundo do trabalho é outro ponto que merece atenção quando se trata das relações de gênero, de acordo com o levantamento International Business Report (IBR) – Women in Business 2019, realizado pela Grant Thornton. Nos últimos cinco anos, a proporção de empresas globais que empregam pelo menos uma mulher em cargos de alta administração subiu 20 pontos percentuais, mas ainda não alcançou o nível mínimo de 30%, para o início da paridade de gênero.

Ainda segundo o levantamento, 93% das empresas brasileiras afirmaram que mulheres ocupam cargo de liderança, número que cresceu 32% em relação a 2018. O estudo Panorama Mulher 2019, realizado pelo Insper e pela Talenses, mostra que a presença de uma mulher em cargo de presidência impacta diretamente na participação de mais mulheres em destaque, pois isso aumenta em 2,5 vezes as chances de ter mulheres em cargos de liderança e 4 vezes em cargos de conselho.

Muito ainda precisa ser feito para que as mulheres ocupem efetivamente o espaço merecido dentro do mercado de trabalho, mas é fato as empresas têm olhado com uma atenção maior para a demanda cada dia maior por igualdade. Quanto antes as mudanças acontecerem, melhor será para o país, afinal, de acordo com a Women Will, se as mulheres participassem do mercado de trabalho na mesma proporção que os homens, o PIB brasileiro poderia aumentar em 30%. 

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