É possível diminuir os conflitos por conta da temperatura do ar condicionado no trabalho?
Publicado em 09/05/2019
Categoria: Sua Empresa |
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Conflitos por conta do ar condicionado no trabalho

Amado por uns e odiado por outros, o ar condicionado virou pivô de disputas mais ‘acaloradas’ em salas e escritórios de empresas de todo o Brasil. Afinal, como encontrar uma temperatura que agrade a ‘gregos e troianos’? Como esses conflitos parecem longe do fim, resolvemos trazer um recorte da situação para tentar ‘esfriar’ os ânimos.

Mudam os nomes das empresas, mas não os argumentos a favor e contra o ar condicionado na maioria delas. Na verdade, problema (ou solução) mesmo é a temperatura, que agrada a uns e incomoda tanto a outros. Entre as idas e vindas do controle remoto, sobretudo nos locais em que ele não é monopolizado por gestores, sobram reclamações, espirros e até mesmo desentendimentos entre colegas de trabalho. Será que é tão difícil assim encontrar uma temperatura que seja agradável a todos? Para tentar desvendar esse mistério e apaziguar essa disputa, ouvimos várias partes envolvidas nessa questão para tentar chegar a um consenso.

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A guerra no escritório

Quem tem muito a dizer sobre esse assunto é a designer Gislaine Monteiro, que conta não terem sido poucas as vezes que frio do ambiente dividiu o departamento. “Sempre fui da turma que prefere que esteja bom para todas as pessoas, nunca gostei de muito frio”, diz. “Lembro que depois de tanto reclamar, pedir e quase ajoelhar para que a temperatura ficasse em pelo menos 20°C, um dia eu e mais três mulheres da sala pegamos o controle do ar condicionado, escondemos dentro de uma lata de decoração que ninguém mexia e ele ficou por lá uns quatro dias, até que o encontraram”. Segundo a moça, foram os dias mais confortáveis que teve trabalhando na empresa, que é formada em sua grande parte por homens, tidos como mais ‘calorentos’.

Regulamentando os ares

Com o objetivo de estabelecer os Padrões Referenciais de Qualidade do Ar e acabar de vez por todas com “achismos” sobre quais condições oferecem menos riscos à saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2003 a Resolução 9. Este documento do órgão público também responsável por fiscalizar os ambientes climatizados de uso público e coletivo, verificando se eles obedecem aos parâmetros regulamentados, reúne o ideal de temperatura, velocidade do ar e até mesmo de umidade nesses locais, entre outras coisas.  “A faixa recomendável de operação das Temperaturas de Bulbo Seco [temperatura ambiente], nas condições internas para Verão, deverá variar de 23°C a 26°C, com exceção de ambientes de arte que deverão operar entre 21°C e 23°C”, determina a Anvisa.

Mais recentemente, o ex-presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.589/2018 com o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), que segue os parâmetros regulamentados pela mesma Resolução 9/2003 da Anvisa e posteriores alterações, assim como as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Visando prevenir ou minimizar riscos à saúde dos ocupantes, ela determina que os edifícios públicos e privados são obrigados a fazer regularmente a manutenção de seus sistemas de climatização, o que, claro, inclui ar condicionado.

Hierarquia do controle remoto

Quem tem a palavra final sobre a temperatura do ar condicionado aí no seu trabalho? O empresário Lucas Ferreira da Silva, que hoje é dono de um restaurante em Limeira, interior de São Paulo, lembra bem quando tinha que brigar por uma temperatura ‘mais justa’ na empresa em que trabalhava. Ele conta que chegou ao ponto de apresentar ao seu superior, encarregado do controle remoto na época, os referenciais de qualidade da Anvisa. “Cada responsável por área tinha um controle. O problema é que numa sala bem grande existiam vários setores e várias máquinas de ar, ou seja, cada um controlava de acordo com o que achava melhor”, recorda ele, que, por razões conhecidas, ainda se mostra resistente à ideia de instalar um ar condicionado em seu restaurante.

Na clínica em que a fonoaudióloga Clara Domingues atende também é comum essa alternância de temperaturas porque cada um tem sua preferência. “Mudamos constantemente o ar condicionado da recepção. Quando a assistente está sozinha, ela deixa em uma temperatura. Aí vou lá e mudo quando estou passando. Depois ela volta na temperatura que quer e assim vai”, conta. “Geralmente eu falo: “você quer que os pacientes morram?” ou então: “meu Deus do céu, que abafado!” ou então: “Não é possível que você não está com calor”, confessa ela em tom de brincadeira.

Ainda sorridente, a fonoaudióloga compartilha os inúmeros argumentos que usa para não restarem dúvidas de que a recepção precisa ficar bem gelada. “Geralmente digo que os pacientes vão chegar da rua cansados, com calor, suando e nada mais agradável do que entrar num local e falar: “nossa, que fresquinho está aqui”. Vejo uma cara feia às vezes, quando a opinião é contrária, mas tudo com muito bom humor”, completa.

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